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Paz e Bem

Regra e Vida da OFS

O texto que orienta a vida de todo franciscano secular, aprovado pelo Papa Paulo VI em 24 de junho de 1978: cada artigo apresentado com um resumo e o texto oficial da Regra.

A aprovação pelo Papa Paulo VI

Depois de dez anos de trabalho das quatro Famílias Franciscanas, à luz do Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI aprovou e confirmou a atual Regra da Ordem Franciscana Secular pelo Breve Apostólico “Seraphicus Patriarcha”, em 24 de junho de 1978.

O Seráfico Patriarca São Francisco de Assis, em vida e depois de sua preciosa morte, atraiu não somente muitos para servirem a Deus na família religiosa que fundara, mas arrastou também numerosos leigos que, permanecendo no mundo, se agregaram às suas Ordens.

…aprovamos e confirmamos, com Nossa Apostólica Autoridade, em virtude destas Letras, a Regra da Ordem Franciscana Secular e lhe acrescentamos o vigor da Sanção Apostólica…

Dado em Roma, junto de São Pedro, sob o anel do Pescador, no dia 24 do mês de junho de 1978, décimo sexto ano do Nosso Pontificado.

Breve Apostólico “Seraphicus Patriarcha”, do Papa Paulo VI

Capítulo IA Ordem Franciscana Secular

Quem somos dentro da Família Franciscana e de onde vem esta Regra: uma resposta da Ordem aos tempos atuais, em fidelidade à sua história de oito séculos.

1

A Família Franciscana reúne leigos, religiosos e sacerdotes que seguem Cristo à maneira de São Francisco, cada qual a seu modo, mas em comunhão vital.

Entre as famílias espirituais, suscitadas pelo Espírito Santo na Igreja, a Família Franciscana reúne todos aqueles membros do Povo de Deus, leigos, religiosos e sacerdotes, que se sentem chamados ao seguimento do Cristo, à maneira de São Francisco de Assis. Por modos e formas diversas, mas em recíproca comunhão vital, eles querem tornar presente o carisma do comum Pai Seráfico na vida e na missão da Igreja.

2

A OFS é a união de todas as fraternidades católicas espalhadas pelo mundo: irmãos e irmãs que, pelo estado secular e pela Profissão, vivem o Evangelho à maneira de Francisco.

No seio da dita família, ocupa posição específica a Ordem Franciscana Secular, que se configura como uma união orgânica de todas as fraternidades católicas espalhadas pelo mundo e abertas a todos os grupos e fiéis. Nelas, os irmãos e as irmãs, impulsionados pelo Espírito a atingir a perfeição da caridade no próprio estado secular, são empenhados pela Profissão a viver o Evangelho à maneira de São Francisco e mediante esta Regra confirmada pela Igreja.

3

Esta Regra vem depois do “Memoriale Propositi” (1221) e das Regras de Nicolau IV e Leão XIII. Sua interpretação cabe à Santa Sé; sua aplicação, às Constituições Gerais e aos Estatutos.

A presente Regra, após o “Memoriale Propositi” (1221) e após as Regras aprovadas pelos Sumos Pontífices Nicolau IV e Leão XIII, adapta a Ordem Franciscana Secular às exigências e expectativas da santa Igreja nestes tempos de acentuadas mudanças. A sua interpretação compete à Santa Sé e a aplicação será feita pelas Constituições Gerais e por Estatutos particulares.

Capítulo IIA forma de vida

O coração da Regra: observar o Evangelho à maneira de São Francisco — na oração, na conversão diária, no desapego, na fraternidade e na construção da paz.

4

A regra de vida é observar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo o exemplo de São Francisco, que fez do Cristo o centro da sua vida — passando do Evangelho à vida e da vida ao Evangelho.

A Regra e a vida dos franciscanos seculares é esta: observar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo o exemplo de São Francisco de Assis, que fez do Cristo o inspirador e o centro da sua vida com Deus e com os homens. Cristo, dom do Amor do Pai, é o caminho para Ele, é a verdade na qual o Espírito Santo nos introduz, é a vida que Ele veio dar em superabundância. Os franciscanos seculares se empenham, sobretudo na leitura assídua do Evangelho, passando do Evangelho à vida e da vida ao Evangelho.

5

Procurar Cristo vivo nos irmãos, na Escritura, na Igreja e na liturgia — com a fé eucarística de Francisco.

Os franciscanos seculares, portanto, procurem a pessoa vivente e operante do Cristo nos irmãos, na Sagrada Escritura, na Igreja e nas ações litúrgicas. A fé de São Francisco, que ditou estas palavras: “Nada vejo corporalmente neste mundo do altíssimo Filho de Deus, senão o seu santíssimo Corpo e o santíssimo Sangue”, seja para eles a inspiração e o caminho da sua vida eucarística.

6

Pelo Batismo e mais ainda pela Profissão, o irmão secular é testemunha da missão da Igreja, em comunhão plena com o Papa, os Bispos e os sacerdotes.

Sepultados e ressuscitados com Cristo no Batismo, que os torna membros vivos da Igreja, e a ela mais fortemente ligados pela Profissão, tornem-se testemunhas e instrumentos da sua missão entre os homens, anunciando Cristo pela vida e pela palavra. Inspirados por São Francisco e com ele chamados a restaurar a Igreja, empenham-se em viver em comunhão plena com o Papa, os Bispos e os Sacerdotes, promovendo um confiante e aberto diálogo de fecundidade e de riquezas apostólicas.

7

Como “irmãos e irmãs da penitência”, a conversão é tarefa de todos os dias — e o sacramento da Reconciliação é sinal da misericórdia do Pai.

Como “irmãos e irmãs da penitência”, em virtude de sua vocação, impulsionados pela dinâmica do Evangelho, conformem o seu modo de pensar e de agir ao de Cristo, mediante uma radical transformação interior que o próprio Evangelho designa pelo nome de “conversão”, a qual, devido à fragilidade humana, deve ser realizada todos os dias. Neste caminho de renovação, o sacramento da Reconciliação é sinal privilegiado da misericórdia do Pai e fonte de graças.

8

A oração e a contemplação são a alma do ser e do agir, alimentadas pela Eucaristia e pela oração litúrgica da Igreja.

Assim como Jesus foi o verdadeiro adorador do Pai, façam da oração e da contemplação a alma do próprio ser e do próprio agir. Participem da vida sacramental da Igreja, principalmente da Eucaristia, e se associem à oração litúrgica em uma das formas propostas pela mesma Igreja, revivendo assim os mistérios da vida de Cristo.

9

Com Francisco, amar a Virgem Maria, Protetora e Advogada da família franciscana, imitando sua disponibilidade e sua oração confiante.

A Virgem Maria, humilde serva do Senhor, disponível à sua palavra e a todos os seus apelos, foi cercada por Francisco de indizível amor e foi por ele designada Protetora e Advogada da sua família. Que os franciscanos seculares testemunhem a Ela seu ardente amor pela imitação de sua incondicionada disponibilidade e pela prática de uma oração confiante e consciente.

10

Cumprir com fidelidade os deveres de cada estado de vida, seguindo o Cristo pobre e crucificado mesmo nas dificuldades.

Unindo-se à obediência redentora de Jesus que depôs sua vontade nas mãos do Pai, cumpram fielmente as obrigações próprias da condição de cada um nas diversas situações da vida, e sigam o Cristo, pobre e crucificado, testemunhando-o, mesmo nas dificuldades e perseguições.

11

Relação justa com os bens: desapego, simplicidade e consciência de administradores, não de donos — “peregrinos e forasteiros” a caminho do Pai.

Cristo, pondo toda a sua confiança no Pai, embora apreciasse atenta e amorosamente as realidades criadas, escolheu para Si e para sua Mãe uma vida pobre e humilde; assim, os franciscanos seculares procurem, no desapego e no uso, um justo relacionamento com os bens temporais, simplificando as próprias exigências materiais; estejam, pois, conscientes de que, segundo o Evangelho, são administradores dos bens recebidos em favor dos filhos de Deus. Assim, no espírito das “Bem-aventuranças”, se esforçam para purificar o coração de toda inclinação e avidez de posse e de dominação, como “peregrinos e forasteiros” a caminho da casa do Pai.

12

A pureza do coração liberta para o amor de Deus e dos irmãos.

Testemunhas dos bens futuros e empenhados pela vocação abraçada em adquirir a pureza do coração, desse modo tornar-se-ão livres para o amor de Deus e dos irmãos.

13

Acolher toda pessoa como dom do Senhor e imagem de Cristo, com atenção especial aos mais pequeninos.

Assim como o Pai vê em cada ser humano os traços do seu Filho, Primogênito entre muitos irmãos, os franciscanos seculares acolham todos os homens com espírito humilde e benevolente, como um dom do Senhor e imagem de Cristo. O sentido da fraternidade os tornará dispostos a igualar-se com alegria a todos os homens, especialmente aos mais pequeninos, para os quais procurarão criar condições de vida dignas de criaturas remidas por Cristo.

14

Construir, com todos os homens de boa vontade, um mundo mais fraterno, assumindo as próprias responsabilidades em espírito de serviço.

Chamados, juntamente com todos os homens de boa vontade, a construir um mundo mais fraterno e evangélico para a realização do Reino de Deus — e conscientes de que “quem segue a Cristo, Homem perfeito, também se torna mais homem” —, assumem as próprias responsabilidades com competência e em espírito cristão de serviço.

15

Presença na promoção da justiça, também na vida pública, com opções concretas e coerentes com a fé.

Estejam presentes pelo testemunho da própria vida humana, bem como por iniciativas corajosas, quer individuais quer comunitárias, na promoção da justiça, particularmente no âmbito da vida pública, comprometendo-se com opções concretas e coerentes com sua fé.

16

O trabalho é dom e participação na criação, na redenção e no serviço da comunidade humana.

Estimen o trabalho como um dom e como participação na criação, na redenção e no serviço da comunidade humana.

17

Na família, viver a paz, a fidelidade e o respeito à vida; os esposos testemunham o amor de Cristo pela Igreja e acompanham a vocação dos filhos.

Em sua família vivam o espírito franciscano de paz, de fidelidade e de respeito à vida, esforçando-se para fazer dela o sinal de um mundo já renovado em Cristo. Os esposos, em particular, vivendo as graças do matrimônio, testemunham, no mundo, o amor de Cristo por sua Igreja. Mediante uma educação cristã simples e aberta de seus filhos, atentos à vocação de cada um, caminhem alegremente com eles em seu itinerário humano e espiritual.

18

Respeito pelas criaturas — da tentação da exploração à fraternidade universal.

Tenham, além disso, respeito pelas outras criaturas, animadas e inanimadas, que “do Altíssimo trazem um sinal”, e procurem, com afinco, passar da tentação de sua exploração ao conceito franciscano da fraternidade universal.

19

Ser portadores de paz, mensageiros da alegria e da esperança, caminhando serenamente ao encontro do Pai.

Como portadores de paz e lembrando-se de que ela deve ser construída incessantemente, procurem os caminhos da unidade e dos entendimentos fraternos mediante o diálogo, confiantes na presença do germe divino que existe no homem e na força transformadora do amor e do perdão. Mensageiros da perfeita alegria, procurem, em qualquer circunstância, levar aos outros a alegria e a esperança. Inseridos na Ressurreição de Cristo, que dá o verdadeiro sentido à Irmã Morte, encaminhem-se serenamente ao encontro definitivo com o Pai.

Capítulo IIIA vida em fraternidade

Ninguém vive sozinho a vocação franciscana: a fraternidade local, ereta canonicamente, é a célula primeira da Ordem — guiada por um Conselho eleito e unida às fraternidades de todos os níveis.

20

A OFS articula-se em fraternidades locais, regionais, nacionais e internacionais, coordenadas entre si pela Regra e pelas Constituições.

A Ordem Franciscana Secular se articula em Fraternidades de vários níveis: local, regional, nacional e internacional, que têm na Igreja a sua própria personalidade moral. Essas Fraternidades dos diversos níveis estão coordenadas e ligadas entre si segundo a norma desta Regra e das Constituições.

21

Cada fraternidade é conduzida por um Conselho e um Ministro eleitos pelos professos — um serviço temporário de disponibilidade e responsabilidade.

Nos diversos níveis, cada Fraternidade é animada e conduzida por um Conselho e um Ministro (ou Presidente) que são eleitos pelos Professos, de acordo com as Constituições. Seu serviço, que é temporário, é um cargo de disponibilidade e de responsabilidade em favor de cada membro e dos grupos. As Fraternidades, internamente, se estruturam de modo diverso, de acordo com as Constituições, segundo as variadas necessidades dos seus membros e das suas regiões, sob a moderação do respectivo Conselho.

22

A fraternidade local, ereta canonicamente, é a célula primeira da Ordem e sinal visível da Igreja, comunidade de amor.

A Fraternidade local deve ser erigida canonicamente, e assim ela se torna a célula primeira de toda a Ordem e um sinal visível da Igreja, comunidade de amor. Ela deverá ser o ambiente privilegiado para desenvolver o sentido eclesial e a vocação franciscana e ainda para animar a vida apostólica de seus membros.

23

Os pedidos de admissão são apresentados a uma fraternidade local, cujo Conselho decide sobre a aceitação.

Os pedidos de admissão à Ordem Franciscana Secular são apresentados a uma Fraternidade local, cujo Conselho decide sobre a aceitação dos novos irmãos.

24

Reuniões periódicas e encontros frequentes alimentam a comunhão — também com os jovens franciscanos e com os irmãos falecidos.

Para fomentar a comunhão entre os membros, o Conselho organize reuniões periódicas e encontros frequentes, inclusive com outros grupos franciscanos, especialmente de jovens, adotando os meios mais apropriados para um crescimento na vida franciscana e eclesial, estimulando cada um à vida de fraternidade. Uma tal comunhão prossegue com os irmãos falecidos mediante o oferecimento de sufrágios por suas almas.

25

Todos contribuem, na medida de suas possibilidades, para as despesas da fraternidade, do culto, do apostolado e da caridade.

Para as despesas que ocorrem na vida da Fraternidade e para as necessárias às obras do culto, do apostolado e da caridade, todos os irmãos e irmãs ofereçam uma contribuição na medida de suas próprias possibilidades. Cuidem as Fraternidades locais de contribuir, por sua vez, para saldar as despesas dos Conselhos das Fraternidades de grau superior.

26

Comunhão e co-responsabilidade com as quatro Famílias Religiosas Franciscanas: assistência espiritual, visita pastoral e visita fraterna.

Em sinal concreto de comunhão e de co-responsabilidade, os Conselhos, nos diversos níveis, de acordo com as Constituições, solicitarão aos Superiores das quatro Famílias Religiosas Franciscanas, às quais desde séculos a Fraternidade Secular está ligada, religiosos idôneos e preparados para a assistência espiritual. Para favorecer a fidelidade ao carisma e a observância da Regra e para se ter maiores auxílios na vida da Fraternidade, o Ministro ou Presidente, de acordo com seu Conselho, seja solícito em pedir, periodicamente, a visita pastoral aos competentes Superiores religiosos e também a visita fraterna aos responsáveis de nível superior, segundo as Constituições.

Bênção final

E todo aquele que isto observar, seja repleto no céu da bênção do altíssimo Pai, e seja, na terra, cumulado com a bênção do seu dileto Filho, juntamente com o santíssimo Espírito Paráclito.

Bênção de São Francisco, do Testamento

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Os resumos são de nossa autoria, para facilitar a leitura; os trechos em destaque reproduzem o texto oficial da Regra da Ordem Franciscana Secular. Quer aprofundar a leitura? Fale com a fraternidade pelo WhatsApp.