← Início

Paz e Bem

Modelos de vida e santidade

A Família Franciscana é a que mais santos e santas deu à Igreja. Entre eles há reis e camponeses, médicos e catequistas, mães de família e operários — gente que viveu no meio do mundo, como nós.

O que é santidade

A santidade não é para poucos

Por muito tempo se imaginou o santo como alguém separado da vida comum, distante das lutas de cada dia. O Concílio Vaticano II recuperou uma verdade antiga: pelo Batismo, todos são chamados à santidade. Ser santo é deixar a vida de Cristo transparecer na nossa.

A santidade de cada dia

O Papa Francisco, na exortação Gaudete et Exsultate (2018), fala da santidade do povo paciente de Deus: os pais que criam os filhos com amor, quem trabalha para levar o pão para casa, os doentes, os idosos que continuam sorrindo. Casado? Seja santo amando e cuidando de quem está ao seu lado. Trabalhador? Seja santo fazendo bem o seu trabalho, a serviço dos irmãos.

O jeito franciscano de ser santo

Para nós, a santidade tem o rosto do Cristo pobre, humilde e crucificado, seguido em fraternidade. Francisco nos adverte: não adianta louvar as obras dos santos e não fazer nenhuma. A devoção que não vira caridade concreta ainda não chegou ao fim do caminho.

Nossos padroeiros e primeiros irmãos

Padroeira da Ordem Franciscana Secular

Santa Isabel da Hungria

1207–1231 · Memória em 17 de novembro · Mansidão e generosidade

Princesa da Turíngia, casada com Ludovico, foi perseguida pela própria família do marido por causa da sua piedade e do seu cuidado com os pobres. Dela vem a conhecida cena das rosas: surpreendida levando pães escondidos no manto, disse que carregava rosas — e rosas apareceram. Viúva e expulsa da corte, perdoou quem a perseguira, construiu um hospital em Marburgo com o que lhe restou e dedicou o fim da vida ao cuidado dos leprosos. Canonizada em 1235.

Padroeiro da Ordem Franciscana Secular

São Luís IX, rei da França

1214–1270 · Memória em 25 de agosto · Humildade e temperança

Subiu ao trono aos doze anos e governou como quem serve. Ajudou na construção de igrejas carregando pedras com os operários, construiu hospitais e casas de acolhida e cuidou do dinheiro público com honestidade rara. Podendo comer fartamente, muitas noites jantava sopa e mandava aos pobres o que lhe era servido. É retratado com a coroa de espinhos, relíquia que recuperou por devoção à Paixão do Senhor. Deixou ao filho um belo testamento espiritual.

Padroeira da JUFRA

Santa Rosa de Viterbo

1223–1251 · Memória em 6 de março · Castidade e paciência

De família simples, muito jovem percorria as ruas de Viterbo com a cruz na mão pregando a penitência evangélica, num tempo de perseguição à Igreja. Foi exilada da cidade com os pais e não foi aceita no mosteiro local; manteve-se mansa e fiel no seguimento do Cristo pobre. Um ano antes de morrer, aos 17 anos, recebeu o hábito e professou na Ordem Terceira. Seu corpo foi encontrado incorrupto em 1258 e assim permanece.

Os primeiros irmãos da Ordem

Beato Luquésio e Buonadonna

século XII–XIII · Memória em 28 de abril · Generosidade e diligência

Segundo a tradição, este casal de Poggibonsi foi o primeiro a seguir Jesus nos passos de Francisco sem deixar a vida secular. Luquésio era comerciante rico e tinha fama de ganancioso; ao ouvir a pregação de Francisco, lembrou-se de Zaqueu e devolveu tudo o que tomara injustamente. Buonadonna a princípio resistiu, mas também se converteu, e os dois passaram a servir juntos os mais pobres — ficaram conhecidos como 'os bem-casados'. Partiram para o Pai com fama de santidade.

Santos e santas da Ordem

Homens e mulheres de todos os tempos e lugares que professaram a Regra da Ordem Franciscana Secular.

Santa Ângela de Foligno

1248–1309 · Memória em 4 de janeiro

Depois da morte do marido, distribuiu tudo aos pobres e entrou na OFS. Mística e escritora, meditando a Paixão deixou escritos que lhe valeram o nome de 'mestra de teólogos'.

Santa Jacinta de Mariscotti

1585–1640 · Memória em 30 de janeiro

De família nobre de Viterbo, professou a Regra da OFS vivendo junto às Clarissas. Mesmo na clausura, dedicou-se aos pobres, aos presos e aos doentes.

Santa Margarida de Cortona

1247–1297 · Memória em 16 de maio

Órfã de mãe, viveu nove anos com um homem de quem teve um filho. Depois da morte dele, entrou na OFS, cuidou da educação do filho e fundou um hospital em Cortona.

Santa Maria Ana de Jesus Paredes

1614–1644 · Memória em 28 de maio

Nascida em Quito, no Equador, viveu com austeridade e serviu os mais pobres. Canonizada em 1950, é a primeira santa franciscana nascida na América Latina.

Beato Raimundo Lullo

1235–1315 · Memória em 30 de junho

De Palma de Maiorca, entrou na OFS em 1295. Idealizou centros de formação de missionários e escreveu sobre pedagogia e diálogo inter-religioso, intuindo a importância de anunciar a fé na língua e na cultura de cada povo.

Santa Isabel de Portugal

1271–1336 · Memória em 4 de julho

Rainha de Portugal, dedicou-se à oração e à caridade. Viúva, doou seus bens aos pobres, entrou na OFS e tornou-se mediadora de conflitos no reino — a rainha da paz.

São Simão Qin Cunfu, São Tomás Shen Jihe e companheiros

mártires em 1900 · Memória em 8 de julho

Quinze franciscanos seculares que se dedicavam à catequese e às obras de caridade foram mortos na perseguição religiosa na China, ao lado de frades e religiosas da Família Franciscana.

Santo Elzeário de Sabran e Beata Delfina

1284–1323 / 1284–1358 · Memória em 26 de setembro

Casal francês, entraram na OFS e partilharam suas riquezas em obras de caridade, cuidando especialmente das pessoas com hanseníase.

Santa Maria Francisca das Cinco Chagas

1715–1791 · Memória em 6 de outubro

Napolitana, da OFS, dedicou a vida aos doentes e aos pobres. Seu exemplo reuniu ao redor de si religiosos e padres.

São João XXIII, Papa

1881–1963 · Memória em 11 de outubro

Entrou na Ordem Franciscana Secular aos 14 anos, ainda seminarista. Conhecido como o 'Papa Bom', convocou o Concílio Vaticano II, que renovou a Igreja em diálogo com o mundo moderno.

Beato Contardo Ferrini

1859–1902 · Memória em 20 de outubro

Professor de Direito em Milão, entrou na OFS ainda adolescente. Uniu ciência e fé; era rigoroso no estudo e doce no trato com as pessoas.

Beato José Gregório Hernández

1864–1919

Médico e professor na Venezuela, ficou conhecido como o 'médico dos pobres': atendia de graça e comprava os remédios de quem não podia pagar. Morreu atropelado ao ir à farmácia buscar um remédio para uma senhora idosa.

Franciscanos seculares brasileiros

A santidade também acontece entre nós, nas nossas fraternidades, nas cidades onde vivemos.

Servo de Deus Dom Hélder Câmara

1909–1999

Cearense, franciscano secular, místico e profeta em defesa dos direitos humanos durante a ditadura militar. Um dos fundadores da CNBB, articulou no Concílio o 'Pacto das Catacumbas', pelo qual bispos renunciaram a privilégios para viver a pobreza evangélica.

Zilda Arns Neumann

1934–2010

Médica pediatra e sanitarista, da Fraternidade Bom Jesus, em Curitiba. Fundou a Pastoral da Criança e cofundou a Pastoral da Pessoa Idosa, ajudando a reduzir drasticamente a mortalidade infantil no Brasil. Morreu no terremoto do Haiti, falando sobre o cuidado com as crianças.

Marina Meditch

1930–1991

Mística franciscana de Porto Alegre, dedicada aos mais pobres, especialmente nas ilhas do Guaíba. Professou em 1985 e escreveu: 'Minha vida será metade oração e metade serviço'.

Serva de Deus 'Mamãe' Cecília

1852–1950

Antônia Martins de Macedo, de Piracicaba (SP), mãe de família e catequista. Entrou na OFS em 1886 e foi a primeira ministra da fraternidade. Cuidou de órfãos, presos e doentes de hanseníase e fundou a Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria.

Paulo Luiz Domingues

1933–2016

De Campo do Meio (MG), teve o sonho do sacerdócio interrompido por um diagnóstico de hanseníase. Na Colônia Santa Izabel, em Betim, foi catequista, músico e regente, e idealizou a fraternidade franciscana secular onde professou — exemplo de superação do preconceito.

Celina Braga de Campos

1920–2013

Mineira, mãe de onze filhos, modelo de leigo maduro que une fé e ação. Foi formadora, responsável pelo SEI Nacional, ministra regional de Minas Gerais e, por dois mandatos, ministra nacional da OFS.

Oscarina Figueiredo de Cardoso

1927–2019

Paraense, mãe de sete filhos, de oração fervorosa: missa diária, terço, Liturgia das Horas. Professou em 1981 em Belém e ajudou a formar a Fraternidade Santa Maria dos Anjos até sua ereção. Amava cantar.

Tarcila Silva Goes, 'Mãezinha'

1910–1992

Goiana, professora, uma das fundadoras da fraternidade de Anápolis. Organizou trabalhos com gestantes, doentes de hanseníase e enfermos, e fundou a 'Ala Paciente', semente do SEI, para acolher os irmãos idosos e doentes.

Paulo Machado da Costa e Silva

1917–2019

Advogado e professor de Petrópolis (RJ), professou em 1949. Foi o primeiro ministro nacional da OFS unificada e integrou a comissão que elaborou a nossa atual Regra e Vida, promulgada em 1978.

Textos de nossa autoria, baseados no livro 'Tempo de Iniciação' (OFS do Brasil, 2025), tema 'Modelos de Vida e Santidade' e tema 'Franciscanos Seculares: primeiros seguidores e padroeiros'. Mais informações em ofs.org.br.

Caminhe conosco

Todos somos chamados à santidade, cada um no seu estado de vida. Conheça a Regra, o caminho da formação e as festas da nossa Ordem.